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		<title>O Rio-Nal dos balões</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 21:24:36 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Publicado em vinte e três de maio de 2009 no Futebesteirol. Na semana em que o céu de Santa Maria esteve CORUSCANTEMENTE preenchido por BALÕES, Riograndense e Inter-SM protagonizaram novamente um clássico local &#8211; promovido pela mesma prefeitura INTEGRALISTA que atraiu os objetos voadores para os NOSSOS céus. Estimulados pela bagatela de 40 mil reais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=63&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><em>Publicado em vinte e três de maio de 2009 no </em><a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/05/o-rio-nal-dos-baloes.html"><em>Futebesteirol</em></a><em>.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/06/dsc026271.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-74" title="DSC02627" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/06/dsc026271.jpg?w=720&#038;h=540" alt="" width="720" height="540" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Na semana em que o céu de Santa Maria esteve CORUSCANTEMENTE preenchido por BALÕES, Riograndense e Inter-SM protagonizaram novamente um clássico local &#8211; promovido pela mesma prefeitura INTEGRALISTA que atraiu os objetos voadores para os NOSSOS céus. Estimulados pela bagatela de 40 mil reais para cada um, periquitos e colorados voltaram a se enfrentar depois de dois anos e a Baixada foi palco até de conflito entre as torcidas.</p>
<p><span id="more-63"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Desde o regresso futebolístico do Riograndense, em 1999, não me recordo de nenhum Rio-Nal em que imprensa e torcida apontassem o quadro ferroviário como favorito para a vitória. O de quinta-feira, um amistoso que comemorava os 151 anos da cidade, quebrou essa sequência. E as razões eram explícitas: o rubro-esmeralda chegou embalado com a vice-liderança do seu grupo na sempre respeitável Segundona, enquanto o onze do Internacional foi formado pela equipe de juniores &#8211; ainda não está definido se o Inter disputará algo no segundo semestre.</p>
<p style="text-align:justify;">O critério para escolher a Baixada como a cancha da partida foi bastante simples: o estádio dos Eucaliptos não conta com refletores em sua estrutura, e o jogo, no meio da semana, precisaria ser à noite. A arquibancada lateral quedou-se toda para PARTIDÁRIOS do colorado, sendo que o diminuto canto ao lado do pavilhão foi o destino dos cerca de trezentos torcedores do Grandense que atravessaram a Avenida Rio Branco rumo ao Presidente Vargas. A geral atrás do gol foi escolhida para ser a divisória das torcidas, o que não impediu uma correria seguida de distúrbios com rojões entre as BARRAS da cidade &#8211; Ferroviários 78 e Fanáticos da Baixada.</p>
<p style="text-align:justify;">Ao jogo, enfim. Nos primeiros vinte minutos, os habilidosos ofensivos colorados penderam pela banda direita, e por ali saíram refinidas tabelas que iludiram momentaneamente a defesa do Riograndense, uma das menos vazadas entre todos os quadros da Segundona. OFENDIDO com a audácia inicial da JUVENTUDE colorada, o Riograndense ignorou o caráter pacífico do enfrentamento e decidiu jogar. Apertando a marcação e intimidando com alguns coices, pouco a pouco o Periquito DOMAVA a SELVAGERIA do Rio-Nal. A primeira etapa findou com um casto zero a zero.</p>
<p style="text-align:justify;">Aproveitando a INTENSIDADE FÍSICA herdada em verdadeiras batalhas campais em cidades como Júlio de Castilhos, Carazinho e VACARIA, o que se viu na segunda etapa foi uma chacina em verde e vermelho. Os juniores resistiram acuados e sem possibilidades reais de atacar até o primeiro gol da noite, o primeiro também de Juninho Laguna no seu retorno ao Riograndense. Com a vantagem no placar, os de Alfinete até relaxaram os músculos e controlaram a GURIZADA sem maior esforço. Zé Carlos, depois de abusar de finalizações lamentáveis, gambeteou friamente um beque e anotou o segundo e derradeiro tento do clássico.</p>
<p style="text-align:justify;">Mantido o PLACAR CLÁSSICO, os últimos minutos serviram para a sofrida gente do Riograndense ostentar a superioridade em Santa Maria e para Bonaldi e cia. garantirem o segundo troféu em menos de uma semana: no último domingo, ao bater o Lajeadense por três gols a um, o Periquito também foi presentado em razão das comemorações da cidade. Depois das persistentes AGRURAS que rondavam o destino dos ferroviários na última década, o Riograndense, inspirado pelos BALÕES, sonha alto e exibe, com orgulho, os últimos resultados. O Rio-Nal pode ter dado o entusiasmo que faltava para acreditar de verdade no sonho de ascender à elite.</p>
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		<title>Alfi e a revanche</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Jun 2010 18:04:57 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Publicado em vinte e um de abril de 2009 no Futebesteirol. Perder em Panambi – polêmicas à parte – foi o suficiente para que o técnico Bebeto Rosa e a diretoria do Riograndense demonstrassem preocupação com o futuro do Periquito na Segundona Gaúcha. Clubes da mesma chave, como o Glória, de Vacaria, ultrapassaram o verde-esmeralda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=59&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em>Publicado em vinte e um de abril de 2009 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/04/alfi-e-revanche.html">Futebesteirol</a>.</em></span></p>
<p style="text-align:justify;"><span style="color:#000000;"><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/06/dsc02079.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-76" title="DSC02079" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/06/dsc02079.jpg?w=720&#038;h=540" alt="" width="720" height="540" /></a></em></span></p>
<p style="text-align:justify;">Perder em Panambi – polêmicas à parte – foi o suficiente para que o técnico Bebeto Rosa e a diretoria do Riograndense demonstrassem preocupação com o futuro do Periquito na Segundona Gaúcha. Clubes da mesma chave, como o Glória, de Vacaria, ultrapassaram o verde-esmeralda na tabela – demostrando, ainda, um nível futebolístico melhor. O recesso que o fim do primeiro turno proporcionou serviu para que os cartolas investissem em contratações para os setores mais fracos da equipe: entre os sondados, podemos listar Sandro Sottilli, conhecido e rodado centroavante, Chiquinho e Vainer, ex-jogadores do Inter-SM e ainda Juninho Laguna e Márcio Machado, que defenderam o time dos Eucaliptos na temporada passada. O contato foi eficiente: Vainer e Laguna assinaram contrato com o Riograndense, enquanto Márcio Machado já está praticamente acertado. Empolgado com as novas contratações – que ainda não tinham condições legais de atuar – o torcedor lotou o Estádio dos Eucaliptos na estreia do returno, diante do mesmo Panambi.</p>
<p><span id="more-59"></span></p>
<p style="text-align:justify;">A estadia do quadro santamariense não foi exatamente tranquila em Panambi. A arbitragem recebeu sonoras queixas dos visitantes, sendo as ouvidas ali mesmo na cancha as mais exaltadas. Para o confronto em Santa Maria, a diretoria do próprio SER Panambi pagou a diferença financeira para bancar apitadores ditos mais qualificados. Talvez não tenha sido um bom negócio. Mas enfim, a partida nem havia começado quando surgiu a primeira confusão: tanto Riograndense quanto Panambi adentraram o gramado trajando verde, a cor do uniforme titular do quadro mandante. Perfilado em campo para o fotógrafo do futebesteirol, o Panambi ouviu uma grande vaia: vestir verde significaria apenas voltar aos vestiários, CAMBIAR a camiseta e atrasar o início do jogo. Sobrou para o preparador de goleiros visitante, que aquecia lentamente o seu arqueiro, um &#8220;porra, já começaram a complicar!&#8221;. O personagem, então, mostrou-se mui solícito: &#8220;Che, o juíz entrou no vestiário e disse para entrarmos com calções e camisetas verdes.&#8221; Então tá.</p>
<p style="text-align:justify;">Findo o período dos distúrbios pré-jogo, e com bons dez minutos de atraso, a bola rolou. E com pouco mais de um minuto, uma jogada ensaiada que buscava o beque Bonaldi resultou no primeiro escanteio, rapidamente cobrado por Giovani. Luís Fernando, que recebeu a pelota, cruzou na cabeça do centroavante Rodrigo, o primeiro a mexer as redes. Riograndense 1-0, para decepção dos poucos mas esperançosos panambienses presentes em Santa Maria. O arrastado primeiro tempo seguiu com incontáveis escanteios para os locais, sendo a maioria dos TIROS DE ESQUINA cobrados sem força ou precisão por Luís Fernando, que retornou ao clube depois de disputar a Taça Fábio Koff pelo rival, ou pelo lateral Marquinhos. As repetitivas infrações do Panambi foram rigidamente punidas pelo árbitro Douglas Perdomini, seja com enérgicos cartões amarelos ou com esporros desaforados. Somam-se aos registros positivos as arrancadas do meia Gioavani, do Riograndense, que aliou velocidade a um bom domínio da bola e a autoridade do meio-campo do Panambi, que se adonou da partida a partir dos primeiros vinte minutos &#8211; mesmo que isso não tenha significado um destino exatamente útil para a posse de bola.</p>
<p style="text-align:justify;">Na volta do intervalo, os volantes Bi e Rangel, do Periquito, retomaram o ímpeto tradicional e acabaram com a festa que os ofensivos visitantes tratavam de organizar. O placar poderia alargar-se quando Giovani, em outro jugadón, assaltou a área e sofreu pênalti. Silvano, que não foi citado anteriormente no texto por estar desoladoramente sumido no jogo, cobrou para o arqueiro da SER Panambi acertar o canto sem pular. Bela defesa que recolocou o quadro visitante na partida. Bebeto Rosa, percebendo a ausência de iniciativa do ataque após o penal malogrado, mandou para campo o mítico Alfinete, no lugar de Rodrigo, o autor do gol. O efeito foi quase imediato. Após alguns sonolentos minutos, ALFI &#8211; como foi carinhosamente chamado por um torcedor &#8211; iludiu um zagueiro inocente pela banda esquerda e pediu nova penalidade. Perdomini apitou com fervor e Luís Fernando cobrou no mesmo canto que Silvano, mas desta vez o BALÃO achou sua CASA. O 2-0 persistiu sem grande resistência do Panambi, que não exibia mais forças. Provavelmente não havia mais espaço na ALMA, pois os dois penais tomaram o espírito de ÓDIO.</p>
<p style="text-align:justify;">O Riograndense pulou para 16 pontos com a vitória e encontra-se na segunda colocação. O Santo Ângelo fez o favor de ser derrotado pelo Lajeadense (ainda o lanterna, com seis) e parou nas 14 unidades. O Glória segue líder e único invicto da Chave 3, com 18 pontos. Na próxima rodada, Riograndense e Glória duelam em Vacaria no que deve ser o mais aguardado embate da Segundona até aqui.</p>
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		<title>Que comece o campeonato</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 04:36:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado em dezesseis de fevereiro de 2009 no Futebesteirol. E que apareça uma equipe. Com uma zaga firme, laterais decentes, um meio-campo capaz de organizar e marcar com alguma eficiência, um ataque que saiba e goste de fazer gols e comandada por um treinador inteligente. Sem exageros nem ilusões. Apenas um time competitivo. Não falo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=51&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em dezesseis de fevereiro de 2009 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/02/que-comece-o-campeonato.html">Futebesteirol</a>.</em></p>
<p style="text-align:justify;">E que apareça uma equipe. Com uma zaga firme, laterais decentes, um meio-campo capaz de organizar e marcar com alguma eficiência, um ataque que saiba e goste de fazer gols e comandada por um treinador inteligente. Sem exageros nem ilusões. Apenas um time competitivo. Não falo do gol porque Goico foi um dos poucos a não comprometer até o fim desse primeiro turmo que merece cair no esquecimento. Depois de sete jogos, o Inter-SM só não foi pior do que um Brasil de Pelotas tristemente destroçado pela tragédia. Hoje, em uma tarde de rendimento um pouco melhor, a arbitragem tratou de contribuir para mais um insucesso. O campeonato está no meio do caminho e o Inter de Santa Maria ainda não mostrou nada no Gauchão.</p>
<p><span id="more-51"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Era o terceiro jogo da temporada no Presidente Vargas. Antes, o Inter havia empatado com o Grêmio na estréia (1-1) e caído diante do São Luiz (0-1). O adversário da tarde, o Santa Cruz, trouxe meia centena de animados torcedores que pintaram de preto e branco o espaço para a equipe visitante – juntamente com um onze bem superior do que o do quadro local. Jorge Anadon, treinador que assumiu após a demissão de Abel Ribeiro, iniciou a partida com Vainer, a referência técnica do time, no banco de reservas. Em seu lugar estava Leando Smith, ex-Goiás e Atlético Mineiro, a contratação mais cara da temporada. Corriam trinta minutos do primeiro tempo de um truncado zero a zero quando Anadon chamou Smith e mandou Vainer para o campo. Se a causa não tenha sido uma lesão, mais um treinador completamente perdido encontra-se na Baixada Melancólica.</p>
<p style="text-align:justify;">Com Vainer em campo, vestindo a camiseta 14, o Inter-SM encontrou a alternativa para atacar o Galo. Logo em seu primeiro lance, Vainer passou a dribles por três defensores e finalizou com perigo, por cima da meta. Foi o lance mais agudo do primeiro tempo. Os visitantes, que controlaram o ímpeto dos santamarienses com um meio-campo forte, alto e marcador, pouco assustaram em termos ofensivos na etapa inicial. Anadon escalou Régis, jovem que atuou pelo Riograndense em 2008, como lateral pela direita – e era por ali que o Inter conseguia avançar com alguma qualidade. Os atacantes Vagner e Alê Menezes, pouco inspirados e distantes do meio-campo, não criaram dificuldades para o veterano goleiro Cássio. Encerrava-se um primeiro tempo morno e equilibrado.</p>
<p style="text-align:justify;">Nos quarenta e cinco finais, parte da torcida presente (em número razoável, apesar do preço e da campanha) clamava por Rudimar, atacante que, se não é dono de notável talento, provoca correria e pressão no campo de ataque. Simplesmente não funcionou e ele pouco foi ativado. Pouco depois, Márcio Souza, o capitão da equipe que terminou em terceiro lugar no ano passado, adentrou a cancha para mostrar a sua decadência: o volante, que segundo os jornais locais estaria incluído numa suposta lista de dispensas, teve atuação muito fraca. Das situações de gol que merecem citação, inclui-se um arremate de Régis de fora da área, alto demais, outro do volante Kaká, rente a trave esquerda de Cásisio e uma cabeçada certeira de Alê que encontrou os cordões: anulada pelo árbitro e naturalmente contestada pelo estádio. O zero a zero persistiu mesmo com arrancadas do Santa Cruz rondando perigosamente o arco de Goico e escanteios colorados improdutivos dando ares de sufoco. Bom resultado para o rival do Avenida, que hoje ocupa a segunda colocação no Grupo B – ainda restam jogos atrasados.</p>
<p style="text-align:justify;">Em sete partidas, o Inter-SM achou sete gols e buscou quatorze nas redes. Mostrou deficiências básicas na marcação e no posicionamento da defesa, um ataque intranscendente e um nervosismo determinante no futebol mostrado até aqui. Anadon diz ter constatado os absurdos – ele tem cerca de quinze dias para modifica-los para que, então, o Inter-SM inicie o seu campeonato gaúcho. Campeonato que teve as ambições alteradas: o segundo turno competente serve, agora, para a manutenção do Inter na elite do futebol do Rio Grande.</p>
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		<title>Goico e nada mais</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 04:31:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado em doze de fevereiro de 2009 no Futebesteirol. Abel Ribeiro não é mais o técnico do Internacional de Santa Maria. A derrota para a Ulbra foi a ultima partida dirigida por ele. Jorge Anadon foi contratado para o seu lugar e já iniciou perdendo: ontem caiu por 3-1 diante do São José, em Porto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=47&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em doze de fevereiro de 2009 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/02/goico-e-nada-mais.html">Futebesteirol</a>.</em></p>
<p><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc01380.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-90" title="DSC01380" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc01380.jpg?w=720&#038;h=540" alt="" width="720" height="540" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Abel Ribeiro não é mais o técnico do Internacional de Santa Maria. A derrota para a Ulbra foi a ultima partida dirigida por ele. Jorge Anadon foi contratado para o seu lugar e já iniciou perdendo: ontem caiu por 3-1 diante do São José, em Porto Alegre. A análise a seguir, porém, é do jogo em Canoas, acompanhado ao vivo pelo Futebesteirol:</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>CANOAS</strong> – Conferir ao vivo a confusão que Abel Ribeiro, o contestado ex-treinador do coloradinho, teima em chamar de time foi o programa do fim de semana. Deixar a exageradamente tranquila praia de Santa Terezinha rumo a desordenada cidade da Grande Porto Alegre não foi das tarefas mais simples. A freeway complicou o projeto de chegar ao jogo na hora marcada como os atacantes universitários preocupariam a zaga santamariense pouco tempo depois. Entramos no bonito e arborizado Complexo Esportivo da Ulbra com mais de trinta minutos do primeiro tempo: um terço da partida quedou-se na estrada. Ao subir a escadaria que dá acesso ao pavilhão da cancha, um ruído (não chegou a ser um barulho, eis a verdade) avisava: a Ulbra acabara de fazer 1-0. E para piorar, notamos que o Inter-SM atuava com dez jogadores, já que o beque Xavier havia sido expulso. O primeiro tempo só serviu para notar a presença de um gordo tristemente chato localizado perto das tribunas de imprensa: foi o cidadão mais corneteiro que já vi em alguns anos de futebol.</p>
<p><span id="more-47"></span></p>
<p style="text-align:justify;">No intervalo, uma conversa rápida porém antológica, devido a raridade do ser, com um quase-torcedor do Sport Club Ulbra. Quase porque declarou-se gremista e acusou: &#8220;Depois dos quinze do segundo tempo, vou pra casa ver o Gre-Nal&#8221;. Mas garantiu que frequenta o estádio desde a segundona gaúcha e já viu nomes como Diguinho, hoje enchendo os bolsos no futebol do eixo Rio-São Paulo, ficar fora do banco da Ulbra. Ele havia brigado com o técnico Armando Desessards, que atualmente se recupera do acidente com o ônibus do Brasil de Pelotas. Mesmo um clube sem torcida como a Ulbra garante um punhado de causos futebolísticos &#8211; bom para os microfones do Futebesteirol. Os quinze minutos de descanso serviram também para contar o imenso público presente. Do lado visitante, incríveis dois torcedores: eu e meu pai, um eterno seguidor do desporto levemente alternativo. Dos universitários, doze, entre eles o maldito gordo.</p>
<p style="text-align:justify;">O Inter-SM voltou do intervalo com um esquema remendado e sem qualquer organização tática. Vainer, destacado lateral esquerdo, atuava pela direita. Marquinhos, o lateral direito, aventurava-se no meio. Mais tarde, Rudimar, atacante, adentrou onde Vainer corria e Alê Menezes, no auge do desespero, cobrava arremessos laterais defensivos. Os absurdos propostos por Abel Ribeiro somados à deficiência da defesa, que se portou como um flam, e a absoluta falta de atitude de grande parte dos jogadores transformaram a goleada em um resultado natural. E ela só não foi maior porque Goico – e só Goico &#8211; estava disposto a honrar o seu Inter.</p>
<p style="text-align:justify;">Os outros dois gols do quadro local demonstraram a facilidade para chegar a meta colorada. Em mais quatro oportunidades, o arqueiro visitante salvou chances claras dos de Canoas ampliarem o placar. Foi de Goico a única demonstração de indignação com a derrota: em certo momento do segundo tempo em que o Inter-SM penava para ultrapassar o meio-campo, o arqueiro, que já marcou até gol de bicicleta com a gloriosa jaqueta vermelha, largou a pelota das mãos e iniciou uma destemida carrera pela banda direita até achar um atacante desmarcado. Com qualidade e, principalmente, com a bravura que os demais esqueceram sabe-se lá onde, Goico foi tudo o que o Internacional mostrou naquela tarde.</p>
<p style="text-align:justify;">Enquanto Goico jogava por onze e cuidava da sua meta, Abel Ribeiro estampava o fracasso do time na cara. O treinador manteve-se alheio aos 3-0 e não esboçou qualquer orientação aos perdidos em campo que eram, por sinal, os seus jogadores. A inércia do treinador irritou tremendamente, mas é injusto colocar nas costas de Ribeiro toda a incompetência do Inter. O desinteresse de Alê Menezes, a falta de ritmo de jogo que ocultou o futebol do bom lateral Fabinho e uma defesa muito fraca comprometeram o seu trabalho – que, independentemente disso, não agradou a quase ninguém. Quase porque o presidente Carlos Rempel, que ocupava uma cabine acima de nós no estádio, insistia na sua manutenção – algo inviável depois da derrota. Rempel, aliás, depois de ver o seu Inter apanhar da Ulbra e perceber que o técnico que fez questão de manter estava totalmente desmoralizado, ainda teve de ouvir o gordo: &#8220;Esse é o time do presidente que mandou todo mundo embora para ficar com o treinador? Bah, meu presidente, que time bem ruim!&#8221;.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://callesoriano.wordpress.com/tag/futebesteirol/'>futebesteirol</a>, <a href='http://callesoriano.wordpress.com/tag/jornalismo/'>jornalismo</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/callesoriano.wordpress.com/47/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/callesoriano.wordpress.com/47/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=47&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Estudiantes 4-3 Sporting Cristal</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 04:19:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Publicado em trinta de novembro de 2007 no Futebesteirol. Ficha do jogo: Copa Libertadores da América 2006 &#8211; Primeira fase 21/02/2006 Estádio Centenário, Quilmes Estudiantes de La Plata (ARG) 4-3 Sporting Cristal (PER) Gols: Jorge Soto 18&#8242; (SC), Amilton Prado 33&#8242; (SC), Jorge Soto 38&#8242; (SC); Calderón 56&#8242; (E), Calderón 66&#8242; (E), Pavone 79&#8242; (E), [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=43&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em trinta de novembro de 2007 no <a href="2-1, no estádio do Vélez Sarsfield, com direito a golaço de Pavone e fim do tabu de 23 anos sem ser campeão nacional. O coração que não parou mesmo com a grande desvantagem de pontos no campeonato era o mesmo que bateu até o fim naquela memorável noite de fevereiro.">Futebesteirol</a>.</em></p>
<div style="text-align:center;"><em>Ficha do jogo:</em></div>
<div style="text-align:center;"><em>Copa Libertadores da América 2006 &#8211; Primeira fase<br />
21/02/2006<br />
Estádio Centenário, Quilmes<br />
Estudiantes de La Plata (ARG) 4-3 Sporting Cristal (PER)<br />
Gols: Jorge Soto 18&#8242; (SC), Amilton Prado 33&#8242; (SC), Jorge Soto 38&#8242; (SC); Calderón 56&#8242; (E), Calderón 66&#8242; (E), Pavone 79&#8242; (E), Pablo Lugüercio 90&#8242; (E)</em></div>
<p style="text-align:justify;">Prova concreta da mística &#8221;pincha&#8221;, em um ano que se tornaria um dos mais gloriosos da memória do clube, com a conquista do Apertura de forma épica, a volta de Verón e a reconquista do respeito na América do Sul.</p>
<p style="text-align:justify;">Uma noite para reviver os confrontos &#8221;coperos&#8221; de outrora, já que o velho e forte Estudiantes de La Plata estava de volta ao seu lugar, de volta à Copa Libertadores da América. Os platenses já têm sua história gravada na taça mais cobiçada do continente. O tricampeonato (68, 69 e 70) conquistado de forma brilhante e consecutiva transformou o clube em um gigante americano, e tamanha mística teria efeito até nos dias atuais.</p>
<p><span id="more-43"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Caravanas migraram de La Plata até Quilmes com a ilusão de um jogo sem maiores dificuldades diante de um adversário bem menos tradicional e sem a mesma qualidade. Porém, a noite reservava &#8221;algo mais&#8221;. Com uma atuação inesperada, o Sporting Cristal abriu 0-3 no primeiro tempo, praticando um futebol que não era visto em uma equipe do Peru há muitos anos: simplesmente atropelou um Estudiantes perplexo.</p>
<p style="text-align:justify;">De volta ao campo, o Estudiantes parecia querer recordar (e salvar) as gloriosas páginas do passado que, embora empoeiradas, estavam vivas. Como não poderia ser diferente, partiu para amassar os andinos no campo de ataque. Mariano Pavone e o folclórico centroavante Calderón buscavam na transpiração o gol que daria o ânimo necessário para aspirar a façanha &#8211; e que mudaria a história da partida. Bola alçada na área, um retrato do desespero, e pênalti para os argentinos em uma falha do zagueiro peruano. Calderón, com a precisão de quem é goleador há mais de uma década, diminuiu: 1-3.</p>
<p style="text-align:justify;">Vantagem reduzida, torcida incendiando e a histórica garra presente em cada chuteira: o Estudiantes, enfim, acordou e marchava rumo a virada. O segundo grito &#8221;pincha&#8221; nasceu na tabela entre os dois atacantes. Um balaço de pé esquerdo do mesmo Calderón estufou as redes do agora assustado goleiro do Cristal: 2-3, golaço. A diferença já era mínima e os visitantes, meros defensores rezando para que a partida acabasse logo. A virada, antes absurda, estava tomando forma e já parecia impossível evitá-la.</p>
<p style="text-align:justify;">Com mais tranqüilidade e praticando um futebol mais lúcido, o Estudiantes criava situações com toque de bola e foi (quase) assim que &#8221;El Tanque&#8221; Pavone, grande revelação das categorias de base nos últimos anos, hoje no Real Betis, igualou o placar e decretou a imortalidade do confronto. Os três gols já &#8221;remontados&#8221; seriam suficientes para entrarem para a história da competição e serem lembrados por diversos anos, mas não era o bastante. Em casa, os leões de La Plata precisavam ganhar.</p>
<p style="text-align:justify;">O time seguiu no ataque, mas o gol heróico tardava em chegar. A aflição estava no rosto de qualquer torcedor no estádio, e até o mais alheio dos espectadores que observava a partida pela TV se empolgou. Aos 45 minutos do segundo tempo, um escanteio batido às pressas encontrou Calderón quase sem ângulo, que não hesitou e disparou de canhota. O alucinado arqueiro até saltou, mas a bola encontrou Lugüercio que de carrinho contemplou a fortuna. O 4-3, afinal, chegou.</p>
<div style="text-align:justify;"><strong>***</strong></div>
<p style="text-align:justify;">A remontada, porém, aconteceu &#8221;apenas&#8221; na primeira fase da Copa Libertadores. Ela foi escolhida por ser o melhor retrato do fantástico ano que o Estudiantes viveu. O mais glorioso de sua história moderna, ouso dizer. Na Libertadores, a equipe avançou até as quartas-de-final e caiu para o finalista e favorito São Paulo, nos pênaltis, com uma arbitragem duvidosa.</p>
<p style="text-align:justify;">Entrou respeitado no Apertura argentino e repatriou Juan Sebástian Verón, um dos grandes que vestiram a &#8221;celeste y blanca&#8221; e filho de quem foi possivelmente o maior jogador que La Plata já viu, &#8221;La Bruja&#8221; Verón. Diego Simeone substituiu Burruchaga, o treinador do primeiro semestre.</p>
<p style="text-align:justify;">Os leões enfileiraram 10 vitórias consecutivas e pelearam até o fim para alcançar o Boca Juniors que, para muitos, já era campeão com três rodadas de antecedência. O Estudiantes empatou em pontos na última partida, de forma épica, forçando o desempate, que venceu com a mesma bravura: 2-1, no estádio do Vélez Sarsfield, com direito a golaço de Pavone e fim do tabu de 23 anos sem ser campeão nacional. O coração que não parou mesmo com a grande desvantagem de pontos no campeonato era o mesmo que bateu até o fim naquela memorável noite de fevereiro.</p>
<br /> Tagged: <a href='http://callesoriano.wordpress.com/tag/futebesteirol/'>futebesteirol</a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/callesoriano.wordpress.com/43/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/callesoriano.wordpress.com/43/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=43&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Cruzeiro, interiorano em Porto Alegre</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 04:10:02 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado em treze de setembro de 2008 no Futebesteirol. Deixar Santa Maria para comparecer a um importante Grêmio x Vasco da Gama era a desculpa oficial da viagem. Mas um evento bem menos comentado que ocorreria um dia antes é que estava sendo verdadeiramente aguardado. O Cruzeiro de Porto Alegre e o Riograndense santamariense enfrentariam-se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=36&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><em>Publicado em treze de setembro de 2008 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2008/09/cruzeiro-um-interiorano-em-porto-alegre.html">Futebesteirol.</a></em></p>
<p style="text-align:left;"><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/cruzeiropoa2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-83" title="cruzeiropoa" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/cruzeiropoa2.jpg?w=720&#038;h=492" alt="" width="720" height="492" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Deixar Santa Maria para comparecer a um importante Grêmio x Vasco da Gama era a desculpa oficial da viagem. Mas um evento bem menos comentado que ocorreria um dia antes é que estava sendo verdadeiramente aguardado. O Cruzeiro de Porto Alegre e o Riograndense santamariense enfrentariam-se no mítico Estrelão, localizado nos confins da capital.</p>
<p><span id="more-36"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Corria um sábado tranqüilo, e apesar da reduzida importância do duelo, válido pela Copa FGF, a oportunidade de ver o velho Riograndense em outro território animava. Do bairro Menino Deus até o número 8301 da inacabável Protásio Alves, evidentemente não se notou qualquer movimentação criado pela partida. Após quase meia hora de percurso, o Estrelão, que tem de mais imponente o nome, pôde ser avistado. Um muro branco, com inscrições apagadas pelo tempo em azul terminava em um portão pouco atraente, que parecia ser o único acesso ao estádio.</p>
<p style="text-align:justify;">O relógio marcava exatamente três e meia da tarde, e mesmo em cima da hora da partida, os responsáveis pelo improvisado estacionamento do estádio não deixaram de exteriorizar a satisfação em ver mais um visitante chegando &#8211; as camisetas denunciavam. &#8220;O Riograndense eu respeito. Vocês são como nós!&#8221;. A frase, talvez exagerada, faria maior sentido depois.</p>
<p style="text-align:justify;">Ingresso pago e uma rota pela grama até as arquibancadas &#8211; pequenas, de quatro ou cinco níveis na lateral do campo. Atrás de um dos arcos uma tribuna maior, que abriga certamente a maior capacidade do estádio. Na outra lateral, o pavilhão que existe desde a inauguração, em 1977. Pouco mais de setenta pessoas compareceram ao encontro, cerca de vinte delas surpreendentemente na torcida visitante. Eram membros da diretoria do Periquito, santamarienses radicados na Região Metropolitana e até jogadores ainda não inscritos, como o centroavante Leandro Safira, autor do gol diante do Inter B, há dias atrás.</p>
<p style="text-align:justify;">Os cruzeirenses (no estádio também ouvi o termo cruzeirista) eram poucos mas orgulhosos. Depois de um primeiro tempo confuso, mas de intenso comprometimento das equipes, aproveitamos para caminhar pelo Estrelão. Dirigentes locais aproximaram-se aos poucos, discorreram brevemente sobre o clube, lamentaram a perda dos pontos do Riograndense no Gauchão, demonstraram semelhantes queixas quanto a Federação e mais uma vez aprovaram a presença dos forasteiros. Tudo muito rápido, já que o futebol estava voltando, nestes estranhos anos 2000 os quinze minutos de intervalo normalmente são respeitados.</p>
<p style="text-align:justify;">Na etapa complementar, o jogo melhorou consideravelmente. O rubro-esmeralda de Santa Maria cresceu, encurralou os estrelados, arriscou arremates de certo perigo. Aos vinte minutos, porém, o Cruzeiro ganhou &#8211; literalmente &#8211; um pênalti a seu favor. Injusto pelo futebol apresentado e pela legitimidade do lance. Mal sabíamos que só foi melhor para o registro, já que a câmera flagrou o momento exato da brilhante defesa do arqueiro Luciano, ex-Inter-SM. Alfinete, no último suspiro dos acréscimos, perdeu a maior das chances dos visitantes, estufando os cordões pelo lado de fora. 0-0, mas sem decepções.</p>
<p style="text-align:justify;">Apenas ao fim do jogo percebemos o drama do Cruzeiro. O Leão da Montanha, como era conhecido outrora, hoje é ignorado por absurda maioria de Porto Alegre. E também prejudicado, mesmo que indiretamente, pelo crescimento da metrópole, como prova a sua rica história.</p>
<p style="text-align:justify;">Em 1941, depois de expressivos resultados municipais (campeão em 1918, 21 e 29) e mesmo estaduais, como o título gaúcho de 1929, o Esporte Clube Cruzeiro inaugura o Estádio da Montanha, no bairro Medianeira, nas cercanias de onde encontra-se hoje o Olímpico Monumental. Anos depois, registrou o maior feito de sua história: o sensacional desempenho em excursão pela Europa, onde enfrentou com êxito gigantes como Real Madrid, Lazio e Galatasaray.</p>
<p style="text-align:justify;">A expansão da capital obrigou o Cruzeiro a deixar Medianeira e sua fase vitoriosa. A valorização da área arrastou o clube até a zona onde ergueu sua cancha atual, quase no limite com a cidade de Viamão, e o futuro, tristemente, pode forçar uma nova mudança. Condomínios luxuosos começam a aparecer na região, onde o Estrelão já destoa. A imprensa colabora com o esquecimento do clube. Na volta do jogo, Nando Gross, na Rádio Gaúcha, anunciava: &#8220;Hoje não tivemos futebol em Porto Alegre, mas amanhã tem Grêmio e Vasco, às 16 horas, no Olímpico.&#8221; O Cruzeiro simplesmente não existe.</p>
<p style="text-align:justify;">Estando em Porto Alegre, é fácil compreender a aparência interiorana do Cruzeiro e porque o clube reconhece no Riograndense, por exemplo, algumas semelhanças. O estrelado, como inúmeros outros no mundo, sobrevive em uma grande cidade às sombras de outros quadros, sem visibilidade, ajuda financeira e numerosa torcida. Atualmente apenas resiste, como no interior.</p>
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		<title>As entranhas de um capitão</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 04:04:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
				<category><![CDATA[Produção]]></category>
		<category><![CDATA[futebesteirol]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado em vinte e sete de agosto de 2009 no Futebesteirol. Vinte e cinco foram os jogos da Segundona acompanhados pelo blog que renderam uma matéria. Muitas foram as fotos e os causos elucidados em cada cancha do interior. Ao fim das jornadas, alinhamos uma seleção. Mas não era o fim da cobertura da Segundona [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=33&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em vinte e sete de agosto de 2009 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/08/as-entranhas-de-um-capitao.html">Futebesteirol</a>.</em></p>
<p><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc05507.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-85" title="DSC05507" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc05507.jpg?w=720&#038;h=540" alt="" width="720" height="540" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Vinte e cinco foram os jogos da Segundona acompanhados pelo blog que renderam uma matéria. Muitas foram as fotos e os causos elucidados em cada cancha do interior. Ao fim das jornadas, alinhamos uma seleção. Mas não era o fim da cobertura da Segundona Gaúcha. Faltava a palavra do maior zagueiro do campeonato. Não falta mais. Em um Estádio dos Eucaliptos melancolicamente entristecido com a eliminação do Riograndense, BONALDI se abriu para os microfones do Futebesteirol.</p>
<p style="text-align:justify;">A entrevista estava marcada para uma ingrata sexta-feira matinal. Mas Bonaldi não se mostrou sonolento. Deixou a CAVERNA, como é chamado o aposento destinado aos jogadores que vivem no estádio, e se mostrou pronto para destrinchar o seu passado e a imensa contribuição que teve na honrosa campanha do Periquito na temporada. Rumamos para o alto do pavilhão dos Eucaliptos. Certamente o canto mais agradável da cancha. De lá, Bonaldi avistava o ralo gramado em que pisou semanalmente pela embarrada Segundona.</p>
<p><span id="more-33"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Não estávamos frente a frente com um entrevistado qualquer. Bonaldi não era um zagueiro qualquer. Isso ele explicitou a cada cabeçada em que salvava o rubro-esmeralda de uma investida inimiga. Bonaldi, com a jaqueta branca do ferroviário santa-mariense, parecia ter olhos apenas para o futebol da sua equipe. De pé no concreto do pavilhão, mostrou a mesma decisão. Falava sempre com firmeza. Se por vezes faltavam sorrisos, frases definitivas jorravam tranquilamente da face do defensor.</p>
<p style="text-align:justify;">Rodrigo Corrêa Bonaldi, que completa trinta e um anos em setembro, mora no alojamento do clube porque “é sozinho”. A mãe ficou em Cruz Alta, cidade natal do jogador. O zagueiro solitário, de parcos fios de cabelo e marcas no rosto que evidenciam batalhas em Bagé ou Livramento, teve um início de carreira “esquisito”, como descreveu. Na sua estréia como profissional, na já distante temporada de 1998, atuava como CENTROAVANTE do Guarany, de Cruz Alta. Zagueiro nas categorias de base, Bonaldi não se contentou em ser útil apenas na bola aérea. Convenceu-se de que faltava mobilidade e destreza para iludir a marcação dos beques cruz-altenses.</p>
<p style="text-align:justify;">Um ano depois, retornou ao encardido universo dos defensores. Quando esclareceu que “lá na frente não dava mesmo”, Bonaldi esboçou o seu segundo e último sorriso da manhã. O primeiro foi um riso discreto e desconfiado que largou quando recebeu as fotos do Futebesteirol, em que aparecia erguendo o braço para os alambrados ou derrubando algum atacante mais faceiro. Recuperada a sisudez habitual, Bonaldi recordou a primeira conquista: em 2000, ascendeu da terceira para a segunda divisão estadual com o seu Guarany.</p>
<p style="text-align:justify;">O acesso rendeu a primeira experiência de Série A. Contratado pelo São Paulo de Rio Grande, Bonaldi disputou a primeira divisão do futebol gaúcho em 2001 e 2002, ano em que o São Paulo caiu. O seu destino, então, foi a longínqua Alagoas. No primeiro semestre de 2003, foi atleta do CSA. A EDUCAÇÃO futebolística prestada aos alegres defensores alagoanos chamou a atenção do Náutico, de Pernambuco. Pelo Timbu, Bonaldi esteve em campo na lendária Batalha dos Aflitos. Oquei, é claro que não. Com Bonaldi em campo, o Náutico nunca entregaria uma partida daquelas.</p>
<p style="text-align:justify;">Findo o breve ciclo pelo Nordeste e depois de atuar no interior paulista, Bonaldi finalmente desembarcou em Santa Maria. Mas não no Riograndense. Em 2005, com o mesmo ímpeto com que agora balança os cordões nos Eucaliptos, vestiu o vermelho do rival Inter-SM. Na Baixada Melancólica, Bonaldi não pôde contrariar a atordoante sina do coloradinho. Como de costume naqueles anos, o Inter morreu na praia e viu São Luiz e Gaúcho lograrem os bilhetes para a Série A. Assim mesmo, se destacou pelas cobranças de falta de muito longe que sempre flertavam com o gol.</p>
<p style="text-align:justify;">Dois anos mais tarde, o Riograndense surgiu na carreira do beque. Em 2007, assim como em 2006, 2005 e 2004, o Periquito era dono de um elenco tristemente limitado. Inverno após inverno, o time apanhava até do Cachoeira. Mas desta vez ao menos havia Bonaldi. O zagueiro proporcionou uma das raras alegrias daquela Segundona. No Rio-Nal disputado nos Eucaliptos, o Riograndense saiu perdendo, para variar. A revolta do capitão, porém, possibilitou o empate: no segundo tempo, Bonaldi peitou a arbitragem, desafiou os rivais e anotou o gol da igualdade. Na comemoração, escalou os alambrados.<br />
Naquele ano, o Inter-SM subiria. Já o Riograndense de Bonaldi não alcançou a segunda fase. Restava a famigerada repescagem, destino comum de todos os eliminados. O adversário seria o sempre temido Lajeadense, que ainda não contava com os festejos de Lucas Precheski. Na ida, o Riograndense bateu o time azul por 3-1, na primeira atuação convincente da temporada – mas no último escanteio da tarde, o goleiro Mainardi frangou miseravelmente e possibilitou o “1” do Lajeadense. Um novo 3-1 em Lajeado forçou a disputa por penais: o Periquito perdeu por 5-4. Mas Bonaldi viu FUTURO naquele esquadrão ainda enfraquecido.</p>
<p style="text-align:justify;">O sentimento de Bonaldi pelo time nasceu nos primeiros insucessos: “a partir dali, aprendi a amar o Riograndense”, conta o zagueiro. Incrível como os sentimentos soam bem mais sinceros em um cenário REAL como o interior gaúcho. Perguntado sobre como um jogador se mantém no pampa, Bonaldi disse que no interior o atleta “se DEFENDE”. Os contratos curtos, válidos quase sempre durante apenas um campeonato, forçam o jogador a trocar de camisa por semestre &#8211; ficar parado significa a ruína financeira. Para a próxima temporada, Bonaldi pode voltar à elite do Gauchão – o que significa mais tranqüilidade no bolso. Tudo porque 2009 foi um ano de luzes para o camisa seis do Riograndense.</p>
<p style="text-align:justify;">“Desde o início pensávamos em brigar”. Bonaldi não concorda que a presença do clube de Santa Maria entre os quatro melhores da competição tenha sido surpreendente para quem viveu a campanha. Trata-se de um clube com jogadores rodados e conhecidos, que melhorou a estrutura e que já havia alcançado uma boa colocação no ano anterior. Lembrou, também, que apesar da expectativa do acesso ter minguado no quadrangular final, o time fez uma trajetória valorosa, “a melhor dos últimos trinta anos”.</p>
<p style="text-align:justify;">Jornada após jornada, Bonaldi se consolidou como o maior nome da equipe. Era a referência do time que mostrou solidez para garantir a classificação na primeira fase. Posteriormente, foi o símbolo de um Riograndense que vencia fora de casa como um matreiro fronteiriço. Faltou erguer a taça e dar a volta olímpica. Entre as razões para o desmoronamento técnico da equipe nas últimas rodadas, Bonaldi apontou carências no elenco – “nas laterais e no meio-campo”, principalmente – e nas condições de trabalho, incomparáveis com as de Pelotas e Porto Alegre, favoritos às duas vagas desde o SORTEIO dos grupos.</p>
<p style="text-align:justify;">Se jogar a primeira divisão com a camiseta do Riograndense se tornou tarefa impossível para 2010, não faltaram interessados em contar com a solidez de Bonaldi na Série A. E o jogador agradece pela visibilidade atingida justamente ao clube de Santa Maria. Conta que representantes de Avenida e Veranópolis fizeram contatos a partir dos jogos televisionados pela TV COM, o que só foi possível porque o Riograndense foi longe no campeonato. Só que as propostas “ainda não são oficiais”, e Bonaldi pode vir a ter uma nova equipe ainda neste ano.</p>
<p style="text-align:justify;">O Milan, de Júlio de Castilhos, que constrói um elenco bem mais decente do que o apresentado na Segundona, quer ter em Bonaldi o capitão para a Copa Arthur Dallegrave, que até já iniciou. O rubro-negro castilhense também deve levar outros jogadores do Riograndense, como o atacante Alfinete e o também zagueiro Diego. Bonaldi via a transferência como incerta: a sequência de jogos até então fora intensa (ele disputou 32 dos 36 confrontos do time) e o interesse (frustrado) do Riograndense em disputar a Copa também dificultou o negócio.</p>
<p style="text-align:justify;">Para o torcedor do Periquito, há uma boa notícia. Bonaldi se mostrou disposto a firmar vínculo com o clube para voltar no ano que vem – depois de uma possível passagem pela primeira divisão. As tratativas dependeriam do interesse da diretoria. Certo é que logo veremos novamente Bonaldi por estes campos: no Antônio David Farina, nos Eucaliptos de Santa Maria e de Santa Cruz ou, quem sabe, no Estádio Olímpico Monumental. Bonaldi sabe que é “um sonho distante” defender o seu querido tricolor de Porto Alegre – objetivo que estará um pouquinho mais perto se o zagueiro repetir as grandes atuações na divisão principal do Gauchão. Se não der, “quero ao menos jogar contra”, diz Bonaldi. É um raciocínio interessante.</p>
<p style="text-align:justify;">Finalizados os questionamentos, Bonaldi se despediu e, ao caminhar pelas arquibancadas ensolaradas, atendeu o celular. Talvez fosse um dirigente randômico do outro lado da linha, negociando uma transação para Erechim, Passo Fundo ou para a Indonésia. Bonaldi sabe que “o futebol é uma MÁFIA”, e que pode ser prejudicado por não contar com um empresário, mas agora diz resolver tudo por conta própria. “Se alguém quiser conversar, dou o meu número e pronto”. A verdade é que Bonaldi se garante.</p>
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		<title>A final: minuto-a-minuto</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 03:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
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		<category><![CDATA[futebesteirol]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado em vinte e cinco de junho de 2008 no Futebesteirol. Mais uma Libertadores chega a seu fim. Como em tantas outras edições, quadros dos mais tradicionais no cenário sul-americano duelaram até apenas dois permanecerem em pé. E os finalistas de 2008 valorizaram a grandeza histórica da competição. O Futebesteirol reconhece e glorifica-os com um [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=30&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em vinte e cinco de junho de 2008 no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2008/06/final-minuto-minuto.html">Futebesteirol</a>.</em></p>
<p><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/base-cientifica-antartica-artigas.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-93" title="Base Cientifica Antártica Artigas" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/base-cientifica-antartica-artigas.jpg?w=720" alt=""   /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Mais uma Libertadores chega a seu fim. Como em tantas outras edições, quadros dos mais tradicionais no cenário sul-americano duelaram até apenas dois permanecerem em pé. E os finalistas de 2008 valorizaram a grandeza histórica da competição. O Futebesteirol reconhece e glorifica-os com um minuto-a-minuto do primeiro embate da decisão.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Prévia:</strong> Favorecido por enfrentar adversários modestos na primeira fase, o Peñarol só encontrou resistência quando enfrentou o Fluminense no Maracanã, em sua volta à América. Classificou-se como líder com certa tranquilidade, sendo seguido pelo surpreendente Audax Italiano, praticante de algo semelhante com o tiki-tiki visto em terras orientais.</p>
<p><span id="more-30"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O Fluminense sonhou em melhorar o retrospecto copero, mas acabou em terceiro lugar por míseros dois gols de saldo. O lanterna foi o Bolívar, que mostrou honra e apreço a grande competição que disputava, e mesmo eliminado previamente venceu o tricolor carioca nas alturas, eliminando-os por 3-1 &#8211; tripleta de Germán Vaca.</p>
<p style="text-align:justify;">Carlos Bueno, perseguido pelos aficcionados aurinegros por supostamente assinar sua transferência em meio as oitavas-de-final, voltou atrás e recusou proposta milionária do Real Bétis espanhol. Com a cabeça salva e no Peñarol, chega na final com seis tentos anotados e a artilharia provisória da Libertadores da América.</p>
<p style="text-align:justify;">O adversário do carbonero, o tricampeão Estudiantes de La Plata suou para classificar-se para o mata-mata. Em seu grupo, São Paulo e Colo-Colo ofereceram dificuldades e a qualificação acabou mesmo no sorteio, diante de igualdade absoluta em todos os aspectos: no papelzinho, golazo pincharata. Eliminado no acaso, Muricy Ramalho pediu demissão de seu azarado São Paulo.</p>
<p style="text-align:justify;">Nas eliminatórias, fortuna para os de La Plata: tanto nas oitavas como nas quartas-de-final, Juan Sebástian Verón e companhia derrubaram equipes sem maior tradição continental, como a alegre Liga de Quito e o cheio de grife América mexicano. Nas semi-finais, o inevitável aconteceu, e não havia mais como escapar do Boca Juniors. Empates em 2-2 tanto no Municipal de La Plata como na Bombonera jogaram a sorte para o vento. Ou para os penais. Piatti cobrou a última com violência e o Estudiantes avançou após heróicos 6-5 na marca de cal.</p>
<p style="text-align:justify;">Sessenta e cinco mil aficcionados já lotam as tribunas do estádio Centenário. A Amsterdam, inteiramente tingida de amarelo e negro, não suporta mais uma alma. Na Colombes a festa é em vermelho e branco. Não foi registrado nenhum incidente entre as torcidas, já que sem maiores explicações elas denominam-se aliadas. Oscar Julián Ruiz observa o cronômetro e apita o início de mais uma final da Copa.</p>
<p style="text-align:justify;"><em>Peñarol: Biglianti; Aguirregaray, Gerardo Alcoba, Darío Rodriguez e Maxi Arias; Mario Alvarez, Marcel Román, Antonio Pacheco e Rúben Olivera; Estoyanoff e Bueno. Técnico: Mário Saralegui.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><em>Estudiantes: Andújar; Desabato, Alayes, Angeleri; Moreno y Fabianesi, Verón, Brãna, Galván, Gonzalo Saucedo; Pablo Piatti e Maggiolo. Técnico: Roberto Sensini.</em></p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Primeiro tempo:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">01&#8242; Move o Peñarol, que ao som de Dale alegría a mi corazón, canção do argentino Fito Paez entoada por sua torcida, arranca para o ataque. Pacheco lança Estoyanoff que não alcança e desliza de carrinho provocando os primeiros aplausos.</p>
<p style="text-align:justify;">04&#8242; Falta no lado direito de ataque para os locais. Verón chegou com muita força no tornozelo de Estoyanoff, que é atendido com certa preocupação fora do campo. José María Franco aquece. Na cobrança, Tony Pacheco acha o pescoço de Arias, que completamente sem jeito manda o esférico para a linha de fundo, sem qualquer perigo para Andújar, jaqueta 21.</p>
<p style="text-align:justify;">06&#8242; Não deu para Fabián Estoyanoff, entra Franco em seu lugar. O ex-jogador do Deportivo La Coruña virou herói ao converter o gol da classificação para a final, nos acréscimos, sobre o Libertad paraguaio no Defensores del Chaco. Lolo chora ao ser substituído, parece ausência certa para a segunda final.</p>
<p style="text-align:justify;">08&#8242; Na velocidade de Piatti o Estudiantes armou o primeiro contra-ataque efetivo do encontro. Após lançamento de Verón, o camisa 9 chutou para segura defesa de Biglianti, que espalmou para escanteio. Na cobrança, Aguirregaray afastou ao saltar em meio a dois zagueiros argentinos.</p>
<p style="text-align:justify;">10&#8242; Lançamento de absurda perfeição de Verón para Maggiolo, que na meia-lua, girou e disparou um balaço no canto esquerdo inferior de Biglianti. 1-0 Estudiantes, na frente de sua numerosa torcida presente no Centenário. Após o abrupto ruído da minoria, voltam a cantar os adeptos do Peñarol.</p>
<p style="text-align:justify;">12&#8242; Com puro huevo y poco fútbol os aurinegros jogaram-se ao ataque. Em arrancada pela esquerda, Carlos Bueno sofre falta e troca braçadas com o nada sutil Angeleri. Mais uma oportunidade para o esférico voar até a área de Angeleri.</p>
<p style="text-align:justify;">13&#8242; Quando todos esperavam um tiro direto para a aglomeração, Pacheco surpreendeu e lançou com rapidez Olivera, aberto e sozinho pela ponta direita. El Pollo apostou carrera até o fundo e cruzou com perfeição. Franco cabeceou, mas parecia um chute. Sabe-se lá como, Andújar desviou para o alto e comemorou a defesa como um golo. E realmente era.</p>
<p style="text-align:justify;">18&#8242; Após bela troca de passes entre Román e Olivera, o Peñarol chegou ao campo de ataque com o controle da pelota. Rúben buscou Charly Good entre os zagueiros, mas o lance sobrou para José María Franco finalizar de fora da área: novamente um tiro, mas no meio da meta. Andújar afastou estranhamente com o pé. A impaciência tomava conta do carbonero.</p>
<p style="text-align:justify;">21&#8242; Moreno y Fabianesi recebeu toque de Braña e arrematou de muito longe. Um leve desvio em Darío Rodriguez mudou totalmente a trajetória da bola, iludindo o apavorado Biglianti, que nada pôde fazer. Mansamente, no canto direito&#8230;2-0 Estudiantes.</p>
<p style="text-align:justify;">25&#8242; Uma remontada faz-se necessária, e os exemplos estão vivos no Centenário. Trapos relembram o 4-2 diante do River Plate, em 66, e o gol de Aguirre, em 87. Mas em campo, sobra desorganização ao Peñarol.</p>
<p style="text-align:justify;">30&#8242; Consciente da boa vantagem atingida, o Estudiantes não sai mais tanto ao ataque. O time deixa o Peñarol jogar até o meio de campo, e então pára as investidas. O objetivo é contra-atacar, mas por enquanto, só resultou em faltas não aproveitadas pelos aurinegros.</p>
<p style="text-align:justify;">34&#8242; Saralegui parece bradar pelo intervalo, mas restam ainda dez minutos. Bueno e Franco arriscam de longe, sem qualquer proximidade do arco argentino. Galván parece encontrar seu futebol, e suas gambetas costuram a meia cancha.</p>
<p style="text-align:justify;">35&#8242; Em novo drible de Galván, Aguirregaray desespera-se e o atinge em um carrinho por trás, sem fazer questão de ser discreto. Ruiz apresenta o primeiro cartão amarelo da decisão. Ninguém ousou reclamar. Galván passa oito meses no chão do gramado sendo atendido.</p>
<p style="text-align:justify;">41&#8242; A partida é um sonho para os platenses. O Centenário silenciou, o Peñarol apanha de seus próprios nervos e o futebol flui. Resistir até o intervalo é o último objetivo da primeira etapa.</p>
<p style="text-align:justify;">47&#8242; Oscar Ruiz anuncia apenas três minutos de descontos, para desespero das três tribunas ocupadas por uruguaios. Resta uma última jogada antes do apito, e Olivera acha Bueno sem maiores pretensões. Charly parte para cima de dois defensores. O primeiro cai após um corte seco &#8211; o Centenário levanta-se para observar esperançoso a última jogada &#8211; e o segundo perde na velocidade. Andújar sai do arco levantando tudo e todos, mas com um último toque, com o bico da chuteira, Bueno tira a pelota do alcance do arqueiro, que inapelavelmente o atropela. No último suspiro, penal para o Peñarol!</p>
<p style="text-align:justify;">48&#8242; Antonio Pacheco ajeita a pelota com mais tensão do que carinho. Relembra as inacabáveis comparações que sofreu com Bengoechea. El Profe converteria aquele penalti com naturalidade. Ele, tremia. Mas chutou &#8211; o único lado inteiramente bom da cobrança é que ao menos o chute sempre sai &#8211; e com força o esférico encontrou os cordões do alto. Bem no meio. O Peñarol descontava, 2-1.</p>
<p style="text-align:justify;"><strong>Segundo tempo:</strong></p>
<p style="text-align:justify;">01&#8242; O gol foi renovador, o ar ficou mais leve na fria noite de Montevideo. Los Pibes del Palacio, absurdamente bêbados, não acreditavam que após o fundo do poço estava a Copa Libertadores. Então cantavam. O que se viu e ouviu seria inesquecível. Um Centenário cantante do início ao fim das quatro tribunas. Os do Peñarol delirando. Os do Estudiantes não entraram no clima e entoaram ofensas ao pobre Gimnasia.</p>
<p style="text-align:justify;">08&#8242; Ainda atrás no placar, mas passado o desespero, as chances de gol começavam a ficar mais naturais para os do Uruguai, que acumularam cinco escanteios nos primeiros minutos da segunda etapa.</p>
<p style="text-align:justify;">12&#8242; Aterrorizado, Sensini chamou Maggiolo e o trocou por um volante. Trocou também a posse de bola pela catimba excessiva. O Estudiantes passou a cair mais do que jogar. Não daria para resistir a pressão do Peñarol, isso parecia claro.</p>
<p style="text-align:justify;">19&#8242; Pode-se dizer que o carbonero descontou com a camisa, no final do primeiro tempo. Mas não era apenas um dos clubes da noite que possuíam um escudo tradicional e uma história imensa. Do outro lado, o Estudiantes não devia nada. E tinha Verón. E Alvarez, talvez também bêbado, o derrubou na meia-lua. Insano. Verón riu. Afastou com certa violência os companheiros que candidataram-se para a cobrança e, naturalmente, como se fizesse com as mãos, engavetou o terceiro gol. Golaço. 3-1 de visitante.</p>
<p style="text-align:justify;">26&#8242; Desalento e uma tonelada nas costas, novamente. Como é sofrido ser do Peñarol. Mas desistir agora seria abdicar de uma glória imensa. E meio desacreditado, mas sem abandonar o confronto, o Peñarol buscou um empate distante.</p>
<p style="text-align:justify;">30&#8242; Fernando &#8220;Petete&#8221; Correa adentrou a cancha no posto de Marcel Román. Três atacantes além de Olivera, sem posição definida no gramado neste segundo tempo. E foi dele, de Olivera, a cobrança rápida de falta que encontrou Correa atrás da zaga. Em frente ao goleiro, Petete acertou a trave em cheio.</p>
<p style="text-align:justify;">36&#8242; A defesa dos leões de La Plata parecia mesmo intransponível. Um a um, os ofensivos carboneros perdiam a posse da pelota no campo de ataque. Sem qualquer inspiração, o contestadíssimo Maximiliano Arias inovou. Irritado com tantos passes barrados, embicou a bola da defesa na direção dos três atacantes. Franco pulou, e desviou por desviar, porque daquela pelota nada seria aproveitado. Mas o leve desvio do centroavante encontrou a gigantesca estrela de Bueno, que passou por cima de seu defensor e encontrou a pelota errante. Bueno, Andújar e uma bola picando. Não foi pensado, foi instinto: chapéu e finalização antes de picar. 3-2 sensacional.</p>
<p style="text-align:justify;">39&#8242; O empate era real, era concreto. E era só o que a multidão queria. Em La Plata, dariam um jeito de vencer. Para as circunstâncias, 3-3 era, antes de épico, necessário. Em um dos tantos corners que voaram até a área visitante, Oscar Ruiz viu sobrar um soco. Os sessenta mil uruguaios juraram ver a agressão, berraram em uníssono. E ao consultar o bandeirinha, assustado com a pressão nas suas costas, Ruiz voltou com o vermelho na mão. Alayes expulso.</p>
<p style="text-align:justify;">44&#8242; Vinte e oito centros desesperados, ao menos foi isso que a TV brasileira somou no segundo tempo. E no último minuto regulamentar, nova oportunidade de bola parada. Falta lateral, no meio do caminho entre a linha da grande área e a linha lateral. Pacheco na bola, sempre ele. O empate precisava chegar, e tinha que ser dali. Biglianti atravessou o campo, os onze aurinegros estavam no lance. Outros dizem que chegava a quase um milhão. O cruzamento saiu muito fechado, encontraria exatamente as luvas do arqueiro. Mas centímetros antes dele, Franco desviou, desta vez um desvio providencial. O esférico encobriu Andújar e chocou-se no travessão, sem força. Na volta, debaixo do arco, um perplexo Aguirregaray empurrou de barriga. 3-3 e dez minutos de comemoração. Oscar Ruiz distribuiu cartões, indignado, e nem deu acréscimos. Nem precisava. Para o Peñarol, o 3-3 foi vitória. Remontada. A América, inacreditavelmente, estava logo ali.</p>
<p style="text-align:justify;">45&#8242; Fim do jogo.</p>
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			<media:title type="html">Base Cientifica Antártica Artigas</media:title>
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		<title>Testemunho de uma expedição oriental</title>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 02:50:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
				<category><![CDATA[Produção]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Publicado aqui em vinte e quatro de julho de 2009. Os causos que rondam a gripe suína me assustaram. Ouvi boatos de pessoas aterrorizadas em Quaraí. Lendas sobre insanidade nas avenidas de Santiago e confusão completa no Alegrete. Decidi tomar uma atitude. Chegara a hora de rumar ao Uruguai. Porque não há nada mais esclarecedor [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=25&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:left;"><em>Publicado </em><a href="http://oscoios.blogspot.com/2009/07/fui-para-terra-do-solzinho-que-sorri-i.html"><em>aqui</em></a><em> em vinte e quatro de julho de 2009.</em></p>
<p style="text-align:left;"><em><a href="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc03952.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-96" title="DSC03952" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/dsc03952.jpg?w=720&#038;h=540" alt="" width="720" height="540" /></a></em></p>
<p style="text-align:justify;">Os causos que rondam a gripe suína me assustaram. Ouvi boatos de pessoas aterrorizadas em Quaraí. Lendas sobre insanidade nas avenidas de Santiago e confusão completa no Alegrete. Decidi tomar uma atitude. Chegara a hora de rumar ao Uruguai. Porque não há nada mais esclarecedor do que conhecer os abalos desde o seu epicentro. Caminharia pelas nebulosas calles de Montevideo sob garoa fria, em clara afronta ao maldito vírus. Participaria do secular ritual do mate oriental para desmitificar certas historietas. Atestaria, enfim, com a exatidão de quem viveu no osso, que a gripe suína é um exagero dos mais brutais. Na verdade, a viagem já estava marcada, o hotel reservado e as almas à espera. E este é o relato de uma jornada que ocorreu APESAR das epidemias mundanas.</p>
<p><span id="more-25"></span></p>
<p style="text-align:justify;">O trajeto tinha algo de inusitado: Santa Maria – Pelotas – Chuí – Montevideo. Por que Pelotas, se por Rivera as distâncias seriam bem menos opressoras? O motivo do desvio de rota (são tão normais&#8230;) chama<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LHQkYQKTYkE/SmlAxii4FTI/AAAAAAAAHVg/ZoS5CUS92Bc/s1600-h/AfotogenicaCOISA.jpg"></a>-se Riograndense Futebol Clube. E o tal motivo venceu o Esporte Clube Pelotas nas cercanias das charqueadas de outrora. Mas isso pode ser melhor detalhado, in loco, para os que se interessam pelo futebol mais distante dos holofotes. Voltemos para el viaje. De Pelotas ao Chuí, é preciso superar uma reta que surge como interminável. Quilômetros e mais quilômetros de capivaras mortas na beira da pista (caminhões noturnos destroem a biodiversidade da reserva do Taim), de bolichos escassos e de coqueiros que sobreviveram ao vento frio do inverno pampeano.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas o Chuí é alcançável, e lá chegamos. Para ultrapassá-lo, é necessário obter a permissão para adentrar as terras uruguaias. Nada de muito rigoroso. Principalmente quando os aduaneiros parecem ostentar um humor ao menos aceitável. E o rigor inexiste porque o Uruguai necessita de turistas. Brasileiros, argentinos, chilenos e peruanos deixam parte do conteúdo de suas carteiras em Montevideo, Punta del Este e Piriápolis – alimentando a economia de um país pequeno, envelhecido e que busca a confortável situação financeira do início da década passada, quando era tido como a “Suíça da América do Sul”. (Ápodo bastante IRREAL, já que os uruguaios não se suicidam no inverno e tampouco são famosos pela neutralidade existente nos alpinos). Dado o oquei, iniciava um longo trajeto pela banda oriental.</p>
<p style="text-align:justify;">O primeiro destino merecedor de uma parada foi a Fortaleza de Santa Teresa, construída por Assis Chateaubriand em meio ao infindável lucro da TV Tupi, nos meados dos anos cinquenta. Mentira. A fortaleza foi erguida no século XVII e alternou entre o domínio de portugueses e espanhóis. O forte tem clara importância histórica, mas não exageremos a ponto de incluir detalhes, datas e nomes de generais de antanho no texto. Até porque exigiria uma pesquisa assaz inútil para a ocasião. Fato é que o local é bastante fotogênico, como CONSTA no retrato que colore o texto, e abriga um dos maiores museus militares da República Oriental d&#8217;Uruguai. O militarismo uruguaio, aliás, é questão realmente interessante: a pequena extensão geográfica do país só não foi menor porque, desde sempre, os uruguaios a defenderam com unhas e foices (?) em tratados mais exaltados e conflitos realmente sangrentos. Daí a importância do exército nacional. O outro lado da moeda aparece em período mais recente, o da ditadura militar, o qual logo adentraremos.</p>
<p style="text-align:justify;">Após a entrada do forte, que pertence a cidade de Castillos, surge um estranho aviso na rota cujo destino é a Capital. Em duzentos metros, conta a placa, a pista servirá também para POUSOS DE AERONAVES. E é tudo real. A estrada se torna incrivelmente larga e a ameaça de um avião disputando espaços na rodovia fornece uma profunda tensão àqueles instantes. Por algum tempo, um pedaço de asfalto pode abrigar carros, caças e coelhos que teimam em atravessar a pista na partícula mais perigosa do universo. Pensei em relacionar tudo isso à democracia de Tabaré Vázquez, mas fica para a próxima. Os aviões não surgem, a estrada encolhe e a normalidade volta a imperar no bucólico Interior uruguaio. Rocha, a capital do departamento que leva o mesmo nome, é a única cidade MÉDIA em um raio gigantesco. Sobre Rocha, posso contar que em uma rádio AM da cidade os belos acordes de “Chora, me liga!” davam sinais de poderosa influência brasileira. Não deveria ter contado.</p>
<p style="text-align:justify;">O percurso inicial era litorâneo, mas do Chuy uruguaio em diante, a Ruta 9 ENVERGA para dentro. A beira do mar nessa região é território quase inalcançável – a começ<a href="http://2.bp.blogspot.com/_LHQkYQKTYkE/SmlA3qAwIUI/AAAAAAAAHVo/tYU1DKiY2E0/s1600-h/MurosFILOS%C3%93FICOS.jpg"></a>ar por Cabo Polonio, localidade presente nas canções de um certo Jorge Drexler, cantautor consagrado (?) pela turma. O acesso só se faz possível com um feroz veículo dotado de 4&#215;4, algo que logicamente não era o caso do carro em que viajei. Horas mais tarde, acordei em Punta del Este. A melancolia da vastidão platina é de uma sonolência increíble, acreditem. Punta, para os desavisados, é o paraíso aquático dos novos ricos do Sul. Mansões beijam a areia antes pisada por moluscos inofensivos. Muito porque é um cenário, dizem, espetacular. Estive lá e não posso concordar ou rechaçar. Simplesmente não vi. Um temporal expurgava os turistas da praia, e a neblina transformava a visão além-mar em pura ilusão. Posso afirmar que definitivamente não nasci para Punta del Este.</p>
<p style="text-align:justify;">Punta dista uma hora de Montevideo, ao menos por vias terrestres. E a recepção chuvosa se repetiu na Capital. Com tempo bom, é possível até avistar as luzes de La Plata, na Argentina, quando se mira o Rio da Prata. Mas o fog uruguayo impedia visões com ousadia superior a dez metros. Com horas e horas de viagem nas espaldas, a noite se restringiu a visitar um shopping próximo e degustar o mais popular dos chivitos do cardápio. Tudo na sexta-feira. O sábado matinal foi de passeios pelo Bairro Sur até a Ciudad Vieja. O primeiro, conforme informações anteriormente coletadas nesse rincão infindável que é a internet, seria o bairro dos negros de Montevideo – quase um gueto. As construções seriam peculiares e mais singelas. Por ser feriado (18 de julho, dia do juramento da primeira constituição do país), inexistiu movimentação nas calles, como mostra a fotografia. Na Ciudad Vieja, até os muros TRANSBORDAVAM política. Mensagens pró-Honduras, desaforos dirigidos ao atual governo, contestações múltiplas e variadas que vez que outra atingiam até o plano espiritual (foto).</p>
<p style="text-align:justify;">A maior parte das pichações, porém, recordava o período da ditadura militar. Os milicos herdeiros de Artigas foram menos discretos que os responsáveis pela matança no Brasil ou na Argentina, para ficar apenas com a repressão no Cone Sul. Por aqui, os desaparecidos quedaram bem escondidos por bons anos, enquanto que em terras portenhas os voos da morte tratavam de jogar os cadávares no fundo do oceano. N&#8217;uruguai, a população se deparava com os corpos dos perseguidos pelo governo nos depósitos de lixo – sem maiores cerimônias. A brutalidade do regime impediu que a ferida se fechasse até hoje. Evoca-se aqueles anos apenas como protesto, na imensa maioria dos casos. A democracia uruguaia, hoje, parece consolidada. Mas esperemos pelas eleições de outubro. E também pela sequência deste relato, que esgotou o seu espaço.</p>
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		<title>Relações de crise</title>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 22:56:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>iurimuller</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No dia 27 de dezembro de 2001, o Racing Club conquistou um título nacional depois de trinta e cinco anos. O time de Reinaldo Merlo, que ostentava destaques individuais como Diego Milito, Chatruc, Bedoya e Campagnuolo, derrubou um a um os adversários e alcançou a ponta do Apertura, triunfando em doze das dezenove partidas. A multidão racinguista fez uma enorme festa no dia 27, data em que o time empatou com o Vélez e garantiu a taça. Foram três grandes pontos tomados pela torcida: o estádio do Vélez, onde a equipe jogava, a própria cancha do Racing, onde um enorme telão abrigou os milhares que não conseguiram ingresso e o Obelisco, no coração de Buenos Aires, local em que os apaixonados já comemoravam antes mesmo do fim da partida e da garantia do campeonato.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=callesoriano.wordpress.com&amp;blog=13846650&amp;post=19&amp;subd=callesoriano&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Publicado em cinco de maio de 2009, no <a href="http://futebesteirol.blogspot.com/2009/05/relacoes-de-crise.html">Futebesteirol</a>.</em></p>
<p><img class="aligncenter" title="Painel em Baires" src="http://callesoriano.files.wordpress.com/2010/05/mural_cacerolazo.jpg?w=426&#038;h=323" alt="" width="426" height="323" /></p>
<p style="text-align:justify;">No dia 27 de dezembro de 2001, o Racing Club conquistou um título nacional depois de trinta e cinco anos. O time de Reinaldo Merlo, que ostentava destaques individuais como Diego Milito, Chatruc, Bedoya e Campagnuolo, derrubou um a um os adversários e alcançou a ponta do Apertura, triunfando em doze das dezenove partidas. A multidão racinguista fez uma enorme festa no dia 27, data em que o time empatou com o Vélez e garantiu a taça. Foram três grandes pontos tomados pela torcida: o estádio do Vélez, onde a equipe jogava, a própria cancha do Racing, onde um enorme telão abrigou os milhares que não conseguiram ingresso e o Obelisco, no coração de Buenos Aires, local em que os apaixonados já comemoravam antes mesmo do fim da partida e da garantia do campeonato.</p>
<p><span id="more-19"></span></p>
<p style="text-align:justify;">Efêmero festejo. As mais de três décadas de seca do Racing não foram suficientes para que o futebol fosse prioridade naqueles dias. A comemoração não pôde passar das primeiras horas seguintes ao 1-1. A Argentina atravessava uma das piores crises de sua história, política e economicamente. O caos teve início no mês de novembro, quando as medidas econômicas do presidente Fernando de La Rúa geraram uma impactante dívida externa e distúrbios no sistema bancário. O mês de dezembro foi marcado por protestos, sendo que os do dia 19 e 20 &#8211; uma semana antes da consagração de La Academia &#8211; foram os mais violentos. Dezenas foram mortos em confrontos com a polícia local, no auge das manifestações. Nesse dia, de La Rúa renunciou. O Racing, em seu júbilo futebolístico, não pôde sorrir por muito tempo.</p>
<p style="text-align:justify;">A crise, aos poucos, passou, mas ficará marcada por um longo período nos que a vivenciaram. E o Racing foi apenas um dos que a sentiram na pele. Não como o operário que perdeu o emprego, como a mãe que viu o filho morto nas manifestações ou como sofreu a população como um todo ao ver o país passar pela mão de cinco presidentes em pouco mais de uma semana. Falamos de um clube que, por azar e casualidade, viu a sua maior glória recente ser ofuscada por um desastre de nível nacional. O &#8220;Dezembro Trágico&#8221; passou como um aluvião que arrastou tudo em Buenos Aires: inclusive o título do Apertura da memória de muitos.</p>
<p style="text-align:justify;">O Racing, quase oito anos depois, viveu temporadas para o esquecimento. Entre elas, um flerte arriscadíssimo com a segunda divisão argentina, no ano passado. Em Avellaneda, com estádio cheio e apoio incondicional, o campeão mundial de 1967 venceu o Belgrano, de Córdoba, e escapou do rebaixamento. O Clausura de 2009 começou com a triste rotina de apresentações pífias e resultados assustadores. Até a chegada do técnico Caruso Lombardi. Ele revolucionou o ambiente. Sorteia TV&#8217;s de plasma no vestiário para motivar os jogadores, arma um ferrolho defensivo para pontuar fora de casa, e, no Cilindro, joga, ataca e vence. Há muito a fiel torcida racinguista não prestigiava La Academia como tem sido nos domingos porteños deste início de ano.</p>
<p style="text-align:justify;">Com Caruso na casamata, apenas o Vélez Sarsfield, o líder do campeonato, tem melhor campanha que o Racing. As primeiras rodadas trataram de destruir um sonho que já era muito distante: sair novamente campeão. Com a notável evolução, porém, a distância para o líder caiu para oito pontos. O Vélez, aliás, é o adversário no próximo fim de semana. Uma nova vitória incendiaria o campeonato. Caruso pede calma, mas após infindos fracassos em campo, uma trajetória como a de agora anima o mais cético dos torcedores. O problema é que fatores extra-campo também preocupam. Uma nova crise no país incomoda tanto quanto os destemidos atacantes do Vélez, que não param de marcar gols.</p>
<p style="text-align:justify;">O governo de Cristina Kichner é claramente impopular. A crise econômica mundial repercutiu mais na Argentina do que no restante da América do Sul. As constantes demissões nas grandes fábricas da Capital e do Interior alimentaram a fúria do operariado. Outras empresas, em situação ainda mais crítica, fecharam as portas. Trabalhadores exaltados buscaram, nesse mês, ocupar fábricas e protestar com vigor reinvindicando aumento de salário e exigindo o fim das demissões. Greves e protestos tomaram as ruas de Buenos Aires. O 1° de Maio foi a data simbólica escolhida por uma grande movimentação de esquerda no centro da Capital. Bradaram em defesa dos operários e indignados com o grave aumento do desemprego. Néstor Kirchner ameaçou: se a situação perder as próximas eleições, não está descartada uma volta ao &#8220;caos de 2001&#8243;.</p>
<p style="text-align:justify;">Dividido entre as idas entusiasmadas ao estádio e a desconfiança quanto aos rumos econômicos argentinos, o racinguista espera que, se a arrancada de La Academia na tabela seguir, o novo e improvável título possa ser comemorado com toda a empolgação guardada por anos na garganta. Como a realidade de 2001 é incomparável com a atual e a escalada na classificação ainda precisa concretizar-se, só o tempo dirá se uma nova contradição espera o Racing e a Argentina.</p>
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